O que é barreira hematoencefálica?

Barreira Hematoencefálica (BHE)

A Barreira Hematoencefálica (BHE) é uma barreira altamente seletiva que separa o sangue circulante do cérebro e do fluido extracelular cerebral no sistema nervoso central (SNC). Ela mantém um ambiente estável para o funcionamento ideal do cérebro, protegendo-o de substâncias nocivas e flutuações na composição sanguínea.

Estrutura e Função:

  • A BHE é formada principalmente por células endoteliais especializadas que revestem os vasos sanguíneos cerebrais. Estas células endoteliais estão unidas por junções estreitas (veja mais em: https://pt.wikiwhat.page/kavramlar/junções%20estreitas), que impedem a passagem paracelular livre de substâncias entre as células.
  • Ao contrário de outros vasos sanguíneos no corpo, os capilares cerebrais têm pouca ou nenhuma fenestração (poros).
  • Os astrócitos (veja mais em: https://pt.wikiwhat.page/kavramlar/astrócitos), um tipo de célula glial, estendem seus pés vasculares até os capilares cerebrais e desempenham um papel importante na indução e manutenção das propriedades da BHE. Eles liberam fatores que afetam as células endoteliais, influenciando a formação de junções estreitas e a expressão de transportadores.
  • Os perícitos (veja mais em: https://pt.wikiwhat.page/kavramlar/perícitos) também estão envolvidos na regulação da BHE, auxiliando na sua estabilidade e integridade.
  • A BHE permite a passagem seletiva de substâncias essenciais para o cérebro, como oxigênio, glicose e certos aminoácidos, através de transportadores específicos. Ao mesmo tempo, restringe a entrada de substâncias tóxicas, patógenos e grandes moléculas.

Mecanismos de Transporte:

  • Difusão Passiva: Pequenas moléculas lipossolúveis (solúveis em gordura) podem atravessar a BHE por difusão passiva.
  • Transporte Ativo: Moléculas maiores e polares precisam de transportadores ativos para atravessar a BHE. Existem transportadores de influxo, que levam substâncias do sangue para o cérebro, e transportadores de efluxo, que removem substâncias do cérebro para o sangue (por exemplo, a glicoproteína P, um importante transportador de efluxo).
  • Pinocitose: Em um grau limitado, a pinocitose (englobamento de fluido extracelular) pode ocorrer, mas é menos prevalente do que em outros endotélios.

Importância Clínica:

  • A BHE apresenta um desafio significativo para a administração de medicamentos ao cérebro. Muitas drogas não conseguem atravessá-la em quantidades suficientes para alcançar o efeito terapêutico desejado.
  • Danos à BHE podem ocorrer em várias condições neurológicas, como acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo cranioencefálico (TCE), esclerose múltipla (EM), infecções (meningite, encefalite) e tumores cerebrais. A disfunção da BHE pode levar ao edema cerebral, inflamação e agravamento da lesão cerebral.
  • A permeabilidade da BHE pode ser modulada em algumas circunstâncias, como durante a inflamação ou com o uso de determinadas substâncias.
  • O desenvolvimento de estratégias para contornar ou modular a BHE é um foco importante na pesquisa de novos tratamentos para doenças cerebrais. Isto pode incluir o uso de nanopartículas, vetores virais ou a administração de drogas diretamente no cérebro.

Consequências da Disfunção da BHE:

A disfunção da BHE pode levar a uma série de consequências negativas para o cérebro, incluindo:

  • Edema Cerebral: O aumento da permeabilidade da BHE permite que o fluido do sangue se mova para o tecido cerebral, causando edema cerebral.
  • Inflamação: A ruptura da BHE permite a entrada de células imunes e mediadores inflamatórios no cérebro, levando à inflamação.
  • Neurotoxicidade: Substâncias tóxicas que normalmente são mantidas fora do cérebro podem entrar e danificar as células cerebrais.
  • Disfunção Neuronal: A disfunção da BHE pode afetar o ambiente neuronal, levando à disfunção e morte neuronal.